Os pólos trocam de lugar
o que era ódio vira amar
o que era pó vira mar
o destino distante está aqui
a grei que nasci vira "ali"
agora esse rio me faz lembrar aquele mar
os pólos trocam de lugar, o fim é o começar
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
CADA MOSCA, UMA PLANTA
Ativam os sensores
a presa se espanta
... cada mosca, uma planta
Fuga impossível
agoniza a esperança
... cada mosca, uma planta
Nada se descarta
se cresce c'oa matança
... cada mosca uma planta
Cada planta uma cor (uma historinha...)
No outro lado da cidade Seu Eugênio, 58 anos, loucos por selos postais e tampas de refrigerante. Via em seu hobby o sentido de viver! Desde os 13 anos a colecionar tais objetos, se viu numa interminável obcessão pelo lançamento de um novo produto de uma velha marca que lhe enchiam os olhos de cor, vida e brilho.
Seu Eugênio chega ao absurdo de adquirir o refrigerante, retirar a tampa e jogar fora o conteúdo: uma gastrite impedia de comsumar o fato além da vista; não importava, mais uma tampinha à sua companhia.
Religiosamente, todos os dias, às 17 horas e quinze minutos, já de pijama e com a escova de dentes na boca, Seu Eugênio ia ao carteiro verificar supostas chegadas de novas correspondências. Incrivelmente, após três meses, chega de Burquina Fasso o que tanto esperava. Seu Eugênio não dominava o dialeto no qual fora escrito aquela carta, retira o selo e joga fora o conteúdo...
Até que, cerrto dia, ao notar abaixo de sua janela o volume de 45 anos de papel e líquido jogados fora, ao chão descartados, acumulara uma crosta de um odor indescritível que apenas as moscas se dariam ao luxo de sobrevoar, querer, intimar.
Seu Eugênio Balbino Pedrosa, presenciara o resultado de sua paixão, ignorava, portanto, toda aquela paisagem moscálica, tosca e detestável. Se voltara para seu interesse perpetuado por seu mais temível fim: não ter o selo, não conseguir a tampinha. Rótulos e etiquetas de uma catástrofe!
Proliferava então, do lado de fora da janela, um exército, um bando incontável de pegajosos insetos dípteros em todas as fases: ovo, larva, pupa e adulto!
Joana Flor, não pelo nome, mas pela tenra idade de 13 anos e uma paixão: cultivar plantas carnívoras e orquídeas. Às seis da manhã, desce a serra, anda sete quilômetros com uma muda numa mão, regador na outra e mais um ser no campo que cultivara com sua vó Efigênia, já falecida a 11 meses. Dona Efigênia dera a neta o doce olhar à natureza.
Não haviam brinquedos, bonecas ou parques que a roubasse sua atenção.
Ao longe, no horizonte, que via nos próximos sete quilômetros o sorriso que sustentaria nos próximos 45 anos.
Curiosamente, não muito longe da casa de sua vó, o carteiro reclamando do mal cheiro e do desleixo de um certo cliente, maluco e nojento. A idade conservara a inquietação e lá foi Joana o que se tinha passado. Não precisou chegar tão próximo e já viu o enxame de moscas ao longe, num quintal apararentemente abandonado.
Joana sorriu e viu o suprimento de sua planta favorita, uma Dionaea Muscipula B52, a saborear suas presas...
No cortejo fúnebre, um punhado de quatro pessoas: um primo distante, dois amigos e um morador de rua que acompanhou só para fazer número. O colecionador de tampas de refrigerante e selos postais deixa o mundo e suas preferências. O casebre dado a prefeitura torna-se um criadouro de plantas e epécies raras de orquídeas, coordenado por Joana Flor, já aos 21, estudante de Biologia.
FIM
_______
O nojo ronda
cozinhas imundas e lixos fétidos da displicência, desleixo sobrevoam os
zumbidos inquientantes de calor, mal cheiro e mal humor. Aqui, acolá,
indesejados, percebidos em vinte dias de vida inútil. Inútil
pensar, como o bizarro filme de 1986, onde narra kafkamente a mutação
de Seth Brundle. Não! O deplorável ser vira pranto, melancolia, delírios:
O que faz supor sua existência?
Para quê?
Por quê?
Desde quando se precisa?
As
plantas carnívoras as desejam, saboreiam, delas crescem, nada se
descarta. Não fosse cômico, cada mosca, uma planta; inútil, vago,
jocoso; uma planta feita de moscas, feitas de restos, feitas por nós.
Como não se sabe, todo fim é uma planta.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
NÃO QUEIRA ESTÁ NO LUGAR DO OUTRO
Certo
padre diz a um colunista que criticou as ações de sua paróquia em um jornal numa
pequena cidade:
Se
é como pensas, sente no meu lugar e ouça cada pessoa que ouço em confissões: é
mulher que trai marido, é vizinho que olha a vida dos outros, é jovem que se
masturba, é picuinha de gente que não tem o que fazer, é pedidos de perdão,
pedidos de empregos, desabafos e falatórios... Ouço tudo e não sou psiquiatra
nem juiz. Peço a Deus que nos ajude.
Se
é de seu jeito, saiba os 72 livros da Bíblia de có, venha e faça as missas de
domingos, de dias santo, de sétimo dia, de casamento, bodas de prata, bodas de
ouro, vá aos velórios, realize batismos, toque o sino, faça os cânticos, reze o
terço, gerencie a igreja, receba visitas de cardeais, vá as casas de quem não
tem condições de receber a eucaristia. E o pior, faça um voto eterno de ficar
sem sexo durante toda a sua vida e ainda receba a fama de pedófilo por causa
dos outros que não agüenta
o trampo. Faço tudo e não sou Bombril. Peço a Deus que me ajude.
Aliás,
sua esposa esteve aqui essa semana. Motivo: você está trabalhando tanto quanto
eu e saiba: eu não quero está no seu lugar.
sábado, 12 de janeiro de 2013
O NOSSO PRESENTE ESPELHA ESSA GRANDEZA
Eu sonhei com os números e eles me cercavam, me punham
contra a parede, me algemaram e, sem direito a respostas, detido, ouvi as
acusações. Eu estava condenado à estatística, contas a pagar, calendário do mês, idade,
cifras, distâncias, medidas, peso, temperaturas, cálculos, pressão arterial, relógio
na parede, agenda telefônica, CPF, identidade, senha de cartão, número do
prédio, andar, endereço e placas de automóveis.
Nada mais pude ver a não ser um
tornado de números sugando tudo da terra e, em coro, ironizavam: você é
quantificável!!!
A lei não difere, no código binário, a tudo quantificável
que a abstração matemática chama de razão. Não, não é prisão. É dogma! Um
convite à embriaguez em dígitos numéricos em alto teor de multiplicidade,
grandeza e valor.
Alguns minutos de tevê ligada se revelam: subida
do dólar a tanto; condenação à prisão de um parlamentar a tantos anos; promoção
a tantas prestações com tanto de juros de desconto; de tanto a tanto foi determinada
partida de futebol; centroavante veste camisa número tal e seu contrato de
tantos por mês, a tantos anos de duração. Portanto, o tanto - o número -
presume o todo.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
REFLEXO: A VIDA INVERTIDA
A discussão continua: um beijo numa cena de novela ou filme é real ou apenas uma representação? Como não (con)fundir as palavras ditas de um script sem que a vontade de dizê-las não seja real? Uma xinga, um elogio... "brincadeiras de dizer a verdade" como dizia o inesquecível Chaplin.
O roteiro espelha anseios, delírios, sentimentos de (e para) alguém. A catarse que se mistura a vida lá fora, e depois de girar o talher, chá e açúcar tornam-se um: o gosto. A tragédia anunciada, a ópera buffa aplaudida e os neurônios aceitam tudo uniformemente, o reflexo espelhado também é vida.
O Heath Ledger (ou o implacável Coringa) rompeu as fronteiras entre a vida e o delírio. O conto é o que se vive contido, afinal o nariz de palhaço, a máscara, é o medo de revelar-se, cair por terra a sensação de está escondido e ninguém o-vê, o-reconhece. Uma personagem, um pretexto para se expandir, a mímese que explica nossa farsa.
Um outro eu escreve e é fácil dizer que é só um (pre)texto, que nada disso é real, é só um punhado de letras combinadas que se finge e se fantasia de idéia. Pura abstração.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
VELA ACESA: O BLACKOUT EMOCIONAL
Acende a lamparina numa floresta escura um náufrago das terras cobertas de escuridão e medo..., ao fim de uma caminhada longa, com arranhões de galhos e picadas de mosquitos, o clarear das nuvens mostram que a manhã faz as pazes com o canto dos pássaros. Os primeiros raios roubam o sorriso de quem passou a noite com os olhos vendados ainda que abertos.
Um caminho novo traz consigo o desconhecido, o vislumbre de um novo horizonte, um sentido, um norte qual bússola a guiar os passos, ascende ao limite da euforia, um surto de auto-contentamento e finalmente encontrar uma razão para viver.
Aos que temem ao novo fica o cômodo ditado de que "futebol, religião e gosto não se discute", uma zona de conforto para quem não tem argumentos, nem certezas. Como crescer quando se impõe suas próprias regras e leis, sem ao menos haver a compreesão do outro e suas razões? As circunstâncias do sectarismo auto-esclarecido erguem reinos de teorias perfeitas que resolverão todos os problemas do mundo. Todos têm a solução.. não, não, todos soluçam.
O diferente preenche o que falta ao imperfeito, sem o qual, a igualdade seria admitir que não precisamos de vencedores, não precisamos de rivais (então o futebol não teria a menor graça?), não precisamos de luz e sombra (o que seria de Caravaggio?), nada mais buscar, nada mais aprender, nada mais a ser... tudo seria exatamente como numa só cor, num só tom.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
MUITO PRAZER, MEU NOME É TALENTO... ME EMPRESTA TEU DOM!
Enquanto tenta acompanhar os passos apressados daquele ancião, o homem de nome Justo grita:
__ Ei, ei... senhor, por favor preciso lhe falar algo!!!
__ Não há o que dizer, pode voltar.
__ Mas eu disse a verdade. Só virou abóbora porque passou da meia-noite, não foi culpa minha, ordens são ordens!
Irritado, o ancião se vira e despara em tom firme:
__ Não me venha com essa de "ordens". Já te disse que o "Código da Vince" não era coisa para ser dita, nem aquilo que chamaram de "Inteligência Emocional"...
Interrompido, Justo replica em tom irônico
__ Ah tá... mas bem que o senhor deu umas risadinhas a cada exemplar vendido de "Quem Mexeu no Meu Queijo?"
__ Não me amole, eu não estava sóbrio... humm, já te disse que Gustav Mahler deveria ser encanador e Erick Hobsbawn teria mais chance de ser feliz... ah, sei lá, como vendedor de Acarajé!
__ Mas você disse a mesma coisa com para João Ubaldo Ribeiro, Alain Prost e aquela tal de Gene Tierney.
__ Já falei que escolho a esmo os gênios de nosso mundo, e há de ser assim sempre!!!
__ Mas senhor Acaso!!! Tu não tens critério? Não, não corra! Venha que preciso ainda lhe falar...
__ Não, não, preciso escolher o próximo imortal!
Ao longe a voz ainda ecoa num fade out natural:
__ Senhor Acaso, senhor Acaso, precisas me ouvir... Hugo Chaves não deve morrer agora...
Distante, o Acaso olha para traz, a voz desaparece e só vê mexerem os lábios de Justo sem que som se lhe chegue aos ouvidos.
O Acaso, por acaso, nunca esperou e mais um vira mito no mundo da exclusão em massa. Um desdém aos anônimos. Os gênios estão por toda a parte, com suas habilidades ocultas, com seus talentos enterrados que jamais serão conhecidos nem por quem os possuem: pintores, químicos, arquitetos, políticos, diplomatas, esportistas, professores, admnistradores...
O BB King se nascido no Brasil seria um indigente a empilhar caixas de água sanitária num supermercado qualquer. O acaso tem suas próprias leis, nem sempre justas.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
AS JANELAS ABERTAS QUE NÃO ENTRAM O SOL
Os guetos, as tribos, as comunidades virtuais, fóruns de debates, parecem e aparecem numa avalanche de informações específicas, o mesmo tom e profundo. Perfeição ao ramo escolhido, um rumo em si, o símbolo da euforia multifacetária, arco-íris monocolor, um samba num semi-tom: religião, rock, surf, como fazer a barba, filosofia de bar, bares temáticos, como criar plantas carnívoras, aprenda a tocar Nick Drake, como não chorar com cebolas... e cada um torna-se deus de seus ideais e preferências.
Encontrar revistas especializadas em sereias de brejo já não é uma 'viajem' duchampiana, não overrdose é aos loucos, o fluxo de informações é como converter a dor em fantasia pra alegria alérgica a dor, suspender a batuta do besterol coletivo: tudo num só refrão, açúcar demais pra formiga solitária e diabética.
Os guetos, tribos e grupos, cada qual com sua xícara esborrando o excesso do demasiado, pois as janelas abertas que não entram o sol são as mentes abertas que não entram o essencial. E saber demais é viver de menos? Não, falta olho no olho de quem está ao lado, faltam abraços físicos, apertos de mãos e menos attalhos alfabéticos.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
FEITO DE AMOR E CHOCOLATE
A expectativa, no escuro duma sala iluminada apenas por um toco de vela, é o sopro. Alguns segundos depois os aplausos: completa-se mais um ano de vida. Vem em seguida o nobre ato: "O primeiro pedaço vao para...". Roteiro previsto.
Vamos fazer um recorte na história e imaginar a doação inicial num outro contexto: e se fizessem os jornais diários como bolo de aniversário? Capa, um estúpido e carnicento assassinato em letras garrafais: MORRE MAIS UM MORADOR DE RUA"... e o primeiro pedaço (matéria, página...) vai para... Numa retrospectiva de tv: após enumerar os escândalos do PT nos últimos três mandatos... e o primeiro pedaço (roubo, esquema, cpi...) vai para... e quando, no dia-adia, se prega todo o tipo de preconceito, todo o tipo de injustiça, a mentira, a ganância, a intolerância religiosa, todo o tipo de discórdia, todo o tipo de autoritarismo, todo o ódio... o primeiro pedaço vai para...
Seria muito bom se todos fizessem um para o outro, tal como no aniversário, no que tange ao bem querer, a saudação, ao doar-se, presentear, cerebrar sem data marcada. Assim seria o fim do egocapitalismo, a queda do império do consumo e da ditadura da propaganda: o primeiro bombom de chocolate vai para... e assim com carros, eletrônicos, planos de saúde, enfim. Antes que se diga: "Isso é absurdo!", "Isso é uma Utopia!", eu sempre responderei que o primeiro pedaço do bolo (e todos os bons desejos) vai para minha mãe!
O corte umbilical é lembrado ao corte do bolo. Partir é sempre difícil, seja o bolo, o cordão ou deixar minha família enquanto o ônibus parte comigo dentro, é de partir o coração. Bye, bye Brasília, até breve!
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BOLO: "(ô), s. m. 1. Cul. Massa de farinha, a que se adicionam açúcar, manteiga, ovos etc.2. Fam. Pancada, na palma da mão, com a palmatória ou régua. 3. Rolo, confusão. 4. O conjunto das apostas que constitui o monte ao(s) ganhador(es)." E ainda tem: ...depois da espera demasiada por alguém percebe-se que esta nunca chegará, deu "bolo" (adição pessoal).
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Por que uma palavra de inundar os lábios e tão gastronomicamente sugestível tem outros descabíveis significados?
BOLO: "(ô), s. m. 1. Cul. Massa de farinha, a que se adicionam açúcar, manteiga, ovos etc.2. Fam. Pancada, na palma da mão, com a palmatória ou régua. 3. Rolo, confusão. 4. O conjunto das apostas que constitui o monte ao(s) ganhador(es)." E ainda tem: ...depois da espera demasiada por alguém percebe-se que esta nunca chegará, deu "bolo" (adição pessoal).
domingo, 6 de janeiro de 2013
AS MONTANHAS SÃO DINOSSAUROS SOTERRADOS
Na estrada, enquanto retornava de Brasília para Maceió, à janela da cadeira 35 a direita, vi a noite especular visões: era sono. Mas dava para perceber, em meio ao breu, os contornos das montanhas, quais curvas que insinuavam outras visões: não apenas um corpo escultural de uma bela morena numa propoaganda de protetor solar, mas ainda como alguém coberto enquanto dorme... ou gigantescos seres que não se explica onde estão ou foram parar, a não ser em alguns indícios esqueléticos de um tipo tal estudado por paleontólogos: encontrei os dinossauros!
As montanhas limitam o espaço: entre uma montanha e outra há uma cidade. Difere do mar que não limita mas propõe continuidade, aventura, nos atrai. Não há propagandas de protetor solar com montanhas mas sim com o mar, e com as morenas ao mar. Mas entre um mar e outro não há cidade, há mar (amar).
Quando olho pela janela o topo da montanhas, quando próximas, sempre espero surgir algo: um exército invasor, extra-terrestres, um bando indígena de filmes americanos. Em todas as viagens que faço de ônibus, a cena é a mesma em se tratando de montanhas.
Ah, se estas montanhas falassem, diria muito sobre o que não sabemos, mas na realidade elas falam, nós é que não ouvimos (e quase sempre uma impressão é mais exata do que mil teorias).
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
UM BAÚ DENTRO DE NÓS
O momento da criação parece um sublime encontro entre dois seres, dois "eus", dois mundos: esse material que vejo e o interior, repleto de informações (as apreendidas e as ocultas ainda por nascerem). Esse momento de "dá a luz" é, em si, materializar sentimentos, percepções outrora contidos, escondidos em algum baú dentro de nós. Parece uma tradução de idiomas, do espiritual, da alma, pra linguagem humana dos sons, das letras, dos sentidos.
O que chamam de dom, talento, parece, na realidade, um grande esforço para transpor universos gêmeos tão desiguais: um é sonho, outro realidade; um é físico, outro é reflexo. O espelho embaçado de quem não vive a arte, comtempla-a, reencontra-se num outro ser, uma auto-identificação num paralelismo coincidente. Para quem a faz, uma desnudez, um revelar-se e, de novo, uma tradução de si para o mundo.
A artisticidade plástica do consumismo exacerbado e covarde, por outro lado, é uma abstração facista, onde a imitação, o refrão em coro ascende ao "kitsch", um réquiem ao íntimo particular, o grotesco meio de se vender diversão.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
UMA PONTE PARA TODOS OS CAMINHOS
Sobre o que escrever? Quais palavras escolher na hora de fantasiar um espaço em branco? Dançam os olhos em torno das letras combinadas, soam bem? Se fosse uma sinfonia, diria musicalmente o exato? Quais abstrações perduram nas molduras dos verbos significantes, o verdadeiro? Jornais, poesias, livros, rabiscam os pensamentos, as idéias, os conceitos, os sentimentos... e quem de fora percebe o que se quer dizer?
Sobre as estantes estão intactos. Refletidos nas lentes dos óculos cabem melhor, largam a poeira, vivificam os neurônios, diálogos entre mentes... não, não, monólogo de um para tantos que sobrevivem entre frases, períodos, (c)orações.
Sobre as estantes estão intactos. Refletidos nas lentes dos óculos cabem melhor, largam a poeira, vivificam os neurônios, diálogos entre mentes... não, não, monólogo de um para tantos que sobrevivem entre frases, períodos, (c)orações.
Nada parece deter cada vírgula inclusa, e aos exclusos a réplica: memória, vida que ensina, pele castigada não é nem o resumo de uma página, é todo um acervo não escrito, qual tinteiro suportaria?
Para os aficcionados, letrados, vivificados pelo dom de decodificar símbolos, traduzir letras em vozes, fica a mensagem de que tudo que pensei já foi percebido, compreendido ou não, como saber? Nem sempre é fácil, nem sempre a intensão de arrancar um sorriso, um aprendizado, e até uma lágrima, esta útima cabem aos imortais!
Para quem escreve, como saber se se fez entender? O que fazer entender? O que escrever? Das palavras escolhidas, a última é quem tem a missão de satisfação mútua, a ponte que une dois caminhos distintos, estranhos: de quem lê e quem escreveu.
O ponto final, é sinal de que tudo voltou ao mundo real, com ou sem transformações, afinal como saber?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
A MODA DITA VALORES, EM REAIS
Está na moda é assumir a tendência do momento, hora esta de se revestir do que há de mais novo, proposto como o esteticamente aceitável. Se não estiver no alvo da moda: é cafona, por fora, excluido. Muitas tribos se definem por sua natureza ideológica: religião, time de futebol, conjuntos musicais; cada qual com seus requisitos, signos e significados, tais quais ícones do desejo pessoal.
A moda não difere desses grupos por ser ainda um modelo ditatorial, repressor, que esfrega no nariz
alheio o que tem que ser consumido para está nela, seja o cabelo, a roupa, a bebida, o aparelho,
o filme, a gíria, a musica e tudo isso num só instante.
O parque de diversão desse vício (quando imperceptível) custa caro. Para se ter uma idéia, o site da Veja estimou o aumento de vendas de vestimenta no Brasil em 2012 a cifra de R$ 160,5 bilhões; celulares pré-pagos, 27 bilhões ao ano; são apenas alguns exemplos de que a propaganda é a arma e o negócio!
Custa ainda a dignidade, custa a liberdade, a própria vida já que preso a imbecilidade de seguir o que determinam pela tendência, não se reage com os próprios princípios, gosto, identidade e, sobretudo, sem haver a real auto estima.
A moda é o modo plural de estupidificação de um dado momento, nomeando épocas, períodos, indo e voltando os mesmos formatos. A moda é uma criação anônima já que ninguém assina sua autoria? Não, em absoluto. O princípio de todo padrão estético, da repetitividade, chama-se mercado, comércio, capitalismo... todos num só propósito: pregar a etiqueta em sua alma já fálica, semi existencial.
Ah, que não se confunda: moda nada tem haver com o vestir bem, o bem-estar, o consumo da tecnologia, etc. A moderação, o equilíbrio são essenciais a não se perrmirtir a ditadura da moda.
Fontes:
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/varejo-de-vestuario-crescera-7-em-2012-diz-pesquisa
http://www.amazonasnoticias.com.br/economia/4-economia/3750-celulares-pre-pagos-movimentam-r-27-bilhoesano.html
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
ANO VELHO FINDA PARA O MUNDO
Mas seus hábitos continuam no ano vindouro!!! O crível é que todos anseiam dias melhores sem nada mudar: continuam toda sua rotina sem que nada, absolutamente nada, seja alterado entre o dia 31 de dezembro e o primeiro dia de janeiro.
Para início de história, as festividades são bastante similares em suas comemorações. E se não tivesse cerveja? Se não houvesse a música do momento? E se não tiver que comprar algo? E se... a lista é infinadável e, na realidade, toda a euforia de um novo ano nunca alterou sua rotina efetiva: continuam os assaltos, assassinatos, crimes, violência, a estupidez diária; quem deve, continua a dever; o credor, continua a cobrar... os jornais continuam com os mesmos enredos. No dia primeiro se contabiliza mortos, feridos, lixo, fluxo de trânsito, etc.
Já não se sabe o que se comemora, o que importa mais são os dias em casa, e que, na real, em casa não se fica. Motivos para devaneios de rotina aprisionam a muitos enraizados na mesmisse, sem que haja um objetivo, foco, definido, saudável, próspero de fato, e que, para tanto, não se precisa que se tenha um "ano novo" para motivação. Assim, em qualquer dia podemos dizer "eu te amo" para mamãe sem precisar do "dia das mães" como motivação ou coragem. Tudo é banal porque é tudo medido pelo foco comercial: dias dos pais, namorados, páscoa, natal, carnaval e o escambáu: o combustível capitalista.
Óbvio que não cabe em todos o chapéu descrito nesse texto, contudo maioria esmagadora faz do "ano novo" um adeus ao ano velho sem que este merecesse tamanha comemoração, afinal no início tudo foi festa, ou seja, 2013 também será desprezado brevemente como "passado", tempo inócuo, já que pareceu desprovido de tudo o que se deseja para o ano que se chega. Sempre foi assim.
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